Crítica do livro Elza Soares

Crítica do livro Elza Soares

Se o que se percebe em Elza Soares é a sua força, garra para vencer e ultrapassar obstáculos que a vida oferece, é exatamente isso o que ela é. Subestimar, julgar essa mulher sem saber o que ela passou desde a infância até hoje é uma falta grave. Teve infância muito pobre, ajudava sua mãe a levar as roupas que lavava para ajudar no orçamento da casa. Uma adolescência na qual foi forçada a se casar aos 13 anos, por uma briga com um menino que seu pai achou que tinha sido um estupro, filhos, trabalho, perda de dois filhos, do pai que tanto amava; mas não estava aqui para vê-lo pela última vez, morte da sua mãe em uma acidente de carro, e uma carreira nada bem vista pela família. 

Sim, até hoje ela se reinventa, surpreende seu público, por sinal muitos jovens que conheceram seu trabalho muitas décadas depois do início de sua carreira, uma carreira cheia de pedras, mas ela as tirou, uma a uma, caindo e levantando. Sofreu com racismo, perseguição por ter se apaixonado pelo jogador do Botafogo-RJ e Seleção Brasileira Garrincha; tiveram que sair do País, já não havia mais condições de continuarem aqui, tamanha era a perseguição ao casal. 

No quadro musical, muitas vezes tiraram de Elza o que ela mais ama fazer em sua vida, que é cantar. Se viu em situações que pareciam não ter volta, mas encontrou pessoas em seu caminho que a fizeram enxergar que não estava nada acabado, Uma dessa pessoas foi Caetano Veloso, que a tirou de um enorme buraco quando a chamou para gravar “Língua”, que a projetou novamente ao mundo da música. 

Uma mulher sofrida, mas consciente com seus mais de 80 anos, uma queda no palco que lhe custou muitas dores na coluna, cirurgia, mas não deixou os palcos, não deixou de cantar, produzir. Em um parágrafo do livro ela diz: “Eu quero que me vejam como uma pessoa que viu verdades, que nasceu de verdade, passou por tudo isso de verdade, e é isso que eu quero passar pros meus filhos e netos. Não quero pensar que minha vida tá acabando. Eu quero é mais um dia. E viver esse dia. Pra onde eu vou? Não sei. Deve ter alguém escolhendo isso pra mim – por que eu devo me preocupar com isso agora?” 

Uma história verdadeiramente intensa e tensa, mas ao mesmo tempo de admiração por conhecer uma mulher forte e determinada em todos os aspectos da vida. Aplausos para essa grande dama da nossa música brasileira. 

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