Vinte e quatro anos sem o ícone da música brasileira, Rento Russo.

Vinte e quatro anos sem o ícone da música brasileira, Rento Russo.

Uma obra completa da vida e trajetória do vocalista da Legião Urbana, o maior ídolo do rock brasileiro. O autor conta em detalhes sobre a política brasileira desde a idealização do presidente da República, Jucelino Kubichek, em construir a capital do Brasil à concretização de Brasília em 1960, com destaque em 1964, quando houve o golpe militar que instituiu a ditadura no Brasil, quando o então presidente João Goulart foi deposto do cargo e assumiu o general Humberto de Alencar Castelo Branco até o fim da ditadura no País. Mais de vinte anos contados em detalhes, passagens assustadoras daquela época. Um livro para quem viveu esses anos e para quem só sabe pela história.

Renato Manfredini Junior nasceu em 27 de março de 1960, no Rio de Janeiro.  De família de classe média alta, Renato teve toda estrutura cultural necessária para se transformar em um dos artistas mais inteligentes da música brasileira. Na infância, morou dois anos com a família em Nova York, onde adquiriu um inglês fluente e que mais tarde, já no Brasil, estudou na Cultura Inglesa para não perder a fluência do idioma.

Aos treze anos foi morar em Brasília, onde fez muitos amigos, muitos deles se tornariam também ídolos da música. O livro mostra passo a passo todo o seu desenvolvimento, a escola, a faculdade, trabalho e a música. À época, muitos artistas foram morar na cidade com os pais, que tinham cargos em bancos, militares e diplomatas. No caso de Renato Russo, seu pai era assessor da presidência do Banco do Brasil. Na cidade ainda havia Herbert Viana, com o pai piloto da Presidência, e Dinho Ouro Preto, de pai diplomata. Todos se conheceram em Brasília.

O autor faz uma esplanada em vários artistas que estiveram na cidade para fazer shows, muitos nomes surgem no decorrer desta história. As grandes bandas de rock dos anos 80 saíram de Brasília, em meio a uma política conturbada, mas os jovens não se intimidavam e saíam às ruas para protestar. Essa é uma situação recorrente durante todo o livro, pois o autor vai e volta em datas para um maior entendimento dos fatos decorridos.

Renato Russo foi, sem dúvida, um filho da revolução, como diz o próprio nome do livro, não só por ter crescido e vivido a ditadura, mas também por não tolerar e não se calar diante de tudo que não aceitava. Por muitas vezes se envolveu em situações complicadas e até foi preso. Mas nada disso o fazia se calar, suas músicas são prova disso.

Muitas delas foram censuradas, trocavam palavras ou até mesmo proibiam, mas a sua expressão estava lá, falava versos de indignação e os fãs repetiam com firmeza, como por exemplo: “Que país é esse”? e “Será”. Certa vez disse que não queria cantar essa música a vida toda, pois acreditava que um dia iria passar. Será?

As fases da sua adolescência mostram sua transformação. Um fato marcante foi a doença descoberta aos 15 anos, epifisiólise – desgaste da cartilagem do fêmur. Isso o levou a passar mais de um ano sem poder se movimentar, época em que escreveu e leu muito. Aos dezessete anos mostra a transformação do garoto certinho, que trocou a camisa social pelas camisetas, adotou calças rasgadas e tornou-se um punk. Depois formaria a sua primeira banda, em 1978, com os amigos Fê Lemos e André Pretorius, a Aborto Elétrico.

Em 1982, depois de ter deixado a banda e tocado voz e violão como, Trovador Solitário, Renato Russo formou a banda que mudaria sua vida, a Legião Urbana, juntamente com Dado Vila Lobos e Marcelo Bonfá; posteriormente entraria Renato Rocha.

Foram muitas as histórias até chegar à sua morte, em 11 de outubro de 1996, aos 36 anos, no Rio de Janeiro, acometido pela Aids. Triste ver o fim de um ídolo de uma geração, de uma inteligência espetacular, um artista que interagia com seu público como nenhum outro; embora com temperamento difícil, mas que contagiava por onde passava. Deixou uma legião de fãs, que se multiplicam até hoje. Suas músicas são imortais, sua história continua mais viva do que nunca. Todo fã deveria ler “Renato Russo o Filho da Revolução”, para entender o porquê se posicionava com ênfase em tudo o que não aceitava, seus questionamentos, sua personalidade marcante. Vale muito a pena ler. Um livro rico na história política e da geração do nosso país, entre os anos 1960 e 1980. Contada lado a lado a construção da história do maior e legendário artista dessa geração, que mesmo após vinte e quatro anos da sua morte continua vivo e atual em suas canções.

“É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar para pensar, na verdade não há”

Renato Russo

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